
Eu não busco compreender o mundo
Eu apenas tento ser uma parte, eu sempre tive medo das palavras, elas sempre me assustaram.
E foi com elas que assustei, choquei, amei, sofri, senti, vivi.
O meu ser não é de falar.
Intuito maior é escrever.
Com elas estou em boa companhia
Acerto dizer tudo que quero.
Sei sair de um extremo ao outro penso em tudo, em todos e em nada.
Quando menino temia aos céus e com palavras de oração pedia perdão.
Hoje não sei perdoar, não sei ser temente.
É como se tudo que estava posto tivesse sido destruído...
Para uma nova construção.
O tempo é imaterial, é estranho demais.
Quem o tempo consegue parar?
É dono de sua própria vida.
Somos como ser e estar, e nunca somos, nem estamos.
E no delírio furtivo eu escrevo sobre o amor.
E também sobre o desamor, o arrependimento,
Pois é verdadeiro e normal arrepender-se, mesmo que isso só aconteça tempos depois.
O tempo nada vale.
Para nós o que fica é o pouco que se faz, o quanto se viveu.
Atrás da porta sempre há uma vassoura, para que nós sejamos colocados pra fora.
Quem escreve é um angelical.
Em que alto monte pousou a águia?
Onde estão as botas de Judas?
Galinha, ovo, pinto?
Longe, tão longe, muito depois do Japão.
Praticamente uma volta completa.
Quem muda profundamente, diz:
“Dei uma mudada de 360 graus”.
Era preferível que mudasse apenas 180°
Assim, não voltavas pra onde estavas.
Primeiro em pé ou deitado?
Tanto faz, a ordem dos fatores...
Já se sabe o resto.
Supõe-se que nada se cria...
Minha avó já dizia:
“Formiga quando quer ser perder cria asa”.
Não será mais fácil perder-se andando?
Tabelionicamente falado as pessoas não nascem
São registradas.
E quando morrem? Não morrem?
Ninguém é semente.
Ou é sim.
“Papai plantou uma sementinha em Mamãe”
Ué? Não é assim, não?
Corda bamba é coisa de circo.
O que existe além do céu, só sabe quem já foi.
A lua é um grande queijo?
Se eu for ao Sol o que acontece?
Passarinho gosta de voar, de cantar, de viver nas árvores.
Eu pensei que escrever fosse difícil.
Que engano. Se junta ordenadamente algumas letras.
E posteriormente, nem tão ordenadamente, as palavras.
E surge algo que não estava posto.
Vinícius já muito escreveu, e fumou, e bebeu, que morreu.
Pessoa foi vários... E quando ele morreu?
Quantos cadáveres encontraram?
Simples agrupamentos de letras e depois de palavras.
É disso que se compõe a obra de todos, todos os escritores.
Algumas letras a menos e tudo pronto.
O seu jeito.
E nada mais existiria para a humanidade.
Dela nada sobrará, além de suas obras.
Sejam elas quais forem.
Dos mais diversos tipos que sejam.
Apenas o pensamento permanece.
O seu, o meu, o vosso, o nosso.
Ele é inatingível.
Até que a morte nos separe.

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